As placas que anunciam as pontes construídas sobre os rios na rodovia BR-376 são discretos portais para outras dimensões. Poucos passos á partir de uma trilha que se inicia antes da ponte sobre o Rio Imbira, logo após uma íngreme subida inicial, e o som das motos esportivas e das carretas já desapareciam abafadas pelo cenário celestial da mata atlântica contrastada com um céu azul que á tempos não dava a cara aos curitibanos. O Jean, que foi quem me fez o convite, já esperando a minha reação, logo perguntou "E aí, oque está achando?".
Já fazia tempo que ele falava de subir esse rio. Ele já esteve ali outras vezes, assim como em afluentes dele, mas dessa vez era para ver oque o Imbira escondia mais acima. Algumas bifurcações de trilhas bem abertas, uma delas que segundo ele era um caminho colonial que seguia até a Serra do Piraí acima, e tomamos um caminho que se aproximava do rio, até que em certo ponto a trilha praticamente sumia, e era tomada por uma vegetação dócil e de progressão tranquila, dispensando o facão a maior parte do tempo. Por outro lado, alguns trechos tinham certa exposição e algumas pedras soltas e árvores podres obrigava certa atenção.
Após cerca de duas horas de caminhada chegamos até a primeira cachoeira do dia, não a primeira deste rio, que mais umas duas cachoeiras menores e aparentemente não tão interessantes abaixo. Esta primeira na verdade víamos de longe, sendo necessário contornar mais para chegar em sua frente, mas dali o rio já impressionava com sua beleza cromática.
Contornamos e passamos pelo afluente direito, por onde em meio á uma corredeira há uma bastante cômoda passagem. Dali subimos pouco até chegar a primeira cachoeira acima e ainda não descoberta por ele, que já nos impressionou muito. Pouco ficamos e ao subir mais um pouco encontramos outra ainda mais impressionante, com uma forma distinta da anterior e a tornava um dos pontos altos do dia. Essas duas seriam segundo o Jean, a quinta e a sexta cachoeira deste rio. Dali ergui o drone para vê-la de cima e ver oque havia mais adiante, observando então duas cascatas logo acima, mas outra enorme cachoeira a seguir, sendo ela a maior deste rio, não muito acima de onde estávamos. Erguendo o drone, deu para ver que após ela não havia muito além de cascatas acima desta.
Achamos uma rota bastante cômoda pela margem direita desta, com sinais de passagem anterior. Com as laterais bastante acidentadas acima, seria mais cômodo subir pelo rio até a maior, tomando bastante cuidado pois eram trechos um tanto lisos, ainda que com bastante apoio, mas estávamos acima da alta cachoeira que havíamos recém passado. Mas até nos surpreendeu a facilidade com que chegamos até a última e maior, sendo ali o ponto final do dia, após 4 horas de trajeto. Após um breve almoço e as merecidas fotos, retornamos um tanto desinteressados em seguir a risca nossa passagem de ida, e já na volta foram dois risóles fritos, um de palmito e outro de pizza, que selaram essa satisfatória exploratória.