Pular para o conteúdo principal

Conjunto Marumbi - Pirapa e Esfinge

  Certa vez eu estava olhando o OpenStreetMaps, que é bastante útil para um montanhista mais iniciante, pois ao menos no leste paranaense, são diversos os locais em que ali se mostram a existência de trilhas consolidadas (na grande maioria dos casos), embora não tão confiável nem preciso para uso em campo (notei na ida ao Camelos, no conjunto Ibiteruçu), e ao olhar o conjunto Marumbi, percebi a existência de um ponto chamado Pirapa, oque supus ser apenas algum ponto de referência pois eu nunca tinha ouvido falar, como também não havia nenhum tracklog ou postagem na internet sobre. Mas o mesmo OSM mostrava a existência de uma trilha, até aproximadamente metade da distância em que ele partia da trilha vermelha/noroeste.
 Na minha ida anterior ao Marumbi no ano passado, também ficou faltando um cume: o Esfinge. Por mais que eu tivesse passado tão perto, não foram muitas informações que eu consegui obter, e os tracklogs eram bem "danificados" naquele ponto. Mesmo lendo que acesso era rápido, eu não sabia exatamente onde ele começava, e também decidi nem perguntar para alguém do parque pois já imaginava que eles não dariam qualquer informação, ainda mais para eu que ia sozinho. Tudo oque eu sabia era que havia um trecho ruim com corrente, e outro com uma corda em mal estado.
 Se fosse apenas um deles que restasse, certamente eu não iria lá tão logo, pois o Marumbi por mais histórico, desafiador e bacana de ser feito (principalmente o frontal, após essa segunda ida pela vermelha/noroeste está mais do que claro que ela é muito desgastante de subir), pessoalmente acho que as demais serras (quase todas inclusive) são mais interessantes para um replay do que o bom e velho Marumbi. Nesse caso, faltando duas para conhecer, usei deste primeiro domingo de setembro, cuja previsão mudou da água para o vinho, para ir percorrer a inacabável ligação entre o IAP Porto de Cima e a Estação Marumbi. Os companheiros Jean e Alex dividiram a viagem, mas eles foram explorar a região do Salto dos Macacos, ali pertinho.
 O dia começou bonito e já cedo a blusa ia pendurada na cintura. Ao chegar na Estação Marumbi já molhei a cabeça na torneira vendo assim a encrenca que seria, mas esperando que o percurso mais encoberto da noroeste moderasse a temperatura. Após cerca de uma hora de subida chego até o chamado "Praça XV", uma áreazinha de uns 2 ou 3 metros² com um tronco de árvore caído bastante cômodo para descansar antes de seguir adiante. Dali começa uma trilha secundária, que segue para o Pirapa. A trilha para o Pirapa, que estava incompleta no OSM, acabei encontrando no Google em um mapa de trilhas do Marumbi (que também mostra uma tal trilha direta para o Gigante, que eu não conhecia). A trilha logo se demonstra bem fitada e aberta, provavelmente por levar á um dos principais pontos de escalada do Marumbi, a base do paredão do Esfinge. No pé desse paredão é onde se encontra o pequeno cume do Pirapa, distante poucas dezenas de metros dele. Em certo ponto da trilha, uma direções talhadas em uma plaquinha de madeira dividem a trilha entre face leste e norte do Esfinge. Para o Pirapa, segue-se para a face leste. 
 Próximo ao cume do Pirapa, a trilha segue mais aberta mas se distancia dele, rumo ao paredão leste do Esfinge, que eu até segui um pouco por curiosidade, mas tornou-se evidente que lá não haveria muito ou talvez qualquer visual, e a subida havia se tornado mais árdua após o ponto onde supus ser a bifurcação para o Pirapa. Voltando, segui ela por poucos metros e saí na área aberta, um solo rochoso inclinado com uma bonita visão para o paredão do Esfinge, o Abrolhos, a Serra da Baitaca e a Farinha Seca, como também é possível ver a Estação Marumbi lá embaixo. Foi cerca de 1:50h para chegar ali, contando a partir da Estação Marumbi. Ventava muito, e junto com a pequena e inclinada área para pousar o drone (mesmo quando o levanto ou pouso a partir da palma da mão, ainda preciso de outra pessoa para operar o lançamento), não foi possível fazer imagens ali. Retornei sem pressa até a Praça XV, tanto pela trilha cheia de raízes, como também pelo calor que só aumentava. Para piorar, também havia dormido pouco na noite passada e o cansaço dava cada vez mais as caras.
 Parada rápida na Praça XV e taquei pra cima, esperando chegar na Esfinge entre 1:30h e 2h, considerando o calor. Calor esse que me fazia parar as vezes á cada minuto diante da já exaustiva subida dessa rota. Ao menos alterna-se bastante o uso dos membros superiores. Em locais onde o vento encanava eu aproveitava cada brisa até que ela cessa-se. Ver de longe o chamado "Apartamento 11" foi um alívio, pois dali até o Esfinge seria supostamente "um pulo". Mais uma parada ali para recarregar e dar um gole da água já morna e começando a se tornar pouca. Erro meu me esquecer da ausência de água no Marumbi, que mesmo levando 2,5lt, devido á temperatura e ao cansaço, tive que esticar para durar até chegar na estação.
 O "Apartamento 11" é um local inconfundível da rota noroeste, fascinante pela maneira como os eventos naturais culminaram na formação desta verdadeira morada. Logo nos primeiros metros acima do seu interior, observei um provável acesso para o Esfinge, e que logo constatei como o correto. A trilha logo leva até o tal ponto com a corrente, uma fenda entre 30 e 40cm de largura, com poucos apoios, suja e escorregadia, onde a corrente dá um mínimo de apoio para transpassa-la. É certamente mais fácil faze-la sem mochila, mas vendo que dava, resolvi subir ainda com ela nas costas. Poucos metros separam o topo deste com o próximo ponto a qual eu ouvira falar, o com a "corda ruim". É uma corda um tanto fina, elástica e com aspecto de antiga, coisa de muitos anos mesmo, que não deixa de ser de gigantesca utilidade devido aos seus inúmeros nós, mas que traz uma sensação de insegurança em utiliza-la sem tentar extrair ao máximo da ajuda da vegetação lateral, que também é escassa e depende de agarrar muito mato para fornecer algum apoio, já que a rocha em si não possui nenhum. Esse ponto é um tanto alto ao final da subida, então certamente merece cuidado. Após ele, há mais uma subida de corda, mas esta mais curta. Depois dela, são poucos metros até o cume, este mais encoberto e com uma visão mais limitada, mas de onde dá para ver de um melhor ângulo a Serra da Baitaca e a Farinha Seca, como também alguns cumes inexplorados ao norte dali (também nesta serra), que na verdade são mais como cristas que sobem a serra e que naquela altura passam á ter rochas expostas. E claro, a Ponta do Tigre é o ponto mais perto dali e que mais chama a atenção. Mas percebe-se que o Esfinge é um tanto ignorado certamente pelo seu visual não tão bem recompensado, ainda mais se comparado ao Ponta do Tigre, tão próximo dali. 
 Desci a trilha me arrastando, mas guiado pelo sonho de ver a torneira de água da Estação Marumbi na minha frente. Ao chegar lá e dar baixa na "recepção" estranho ele não perguntar o meu nome e ao questionar sou informado que eu era o único no conjunto inteiro nesse domingo. Acho que os mais espertos foram todos explorar a região do Salto dos Macacos, ali pertinho...