São tempos de turbulência. Como em outras fases da minha vida, encontro-me observando os meus erros, as minhas fraquezas, mas sobretudo, o vácuo em um canto lateral porém importante da minha existência. Esse sentimento, mais do que nunca acompanhado de uma ansiedade oscilante e incômoda, agora dá as caras e desmotiva a conclusão de alguns planos, sobretudo os mais exigentes, deste passatempo que há anos tem tornado a minha vida mista entre o cotidiano e um estado de aventura.
Isso também vêm acompanhado de certas decepções em conseguir uma companhia para certos objetivos, sendo que alguns destes seriam de certa irresponsabilidade em faze-los sozinho, como outros já de considerável dificuldade já foram feitos, mas por se tratarem de locais remotos e longas distâncias, definitivamente não seria bom arriscar.
Dentre os objetivos mais simples estava um pequeno morro situado á beira da Estrada Velha da Graciosa, com sua base próxima da junção do trecho novo e asfaltado com oque restou do antigo caminho. Meu amigo Jean já sabia do meu interesse em conhecer esse ponto, e eventualmente chegou o convite para aproveitar o domingo de clima misto no morro até então sem nome. Foi quando o Rafael, montanhista bastante experiente e que nos acompanhou neste dia, mostrou as fotos de uma ida anterior dele até lá, chamando-o provisoriamente de "Morro da Quiçaça".
Estacionamos os carros em um local próximo e adentramos o mato em uma área que contorna-se as duas áreas particulares que desviassem do morro. Sabíamos por imagens de satélite da existência de trilha ao fim da mata encoberta, já em uma porção superior do morro e fora de área particular, e contornamos o morro até acessa-lo. O dia havia amanhecido sob forte névoa, mas enquanto subíamos tínhamos uma visão bacana e céu aberto, sobretudo para a direção do Ibitiraquire. A subida foi fácil e rápida, como se esperava.
Mas logo que nos aproximávamos de vez do cume, antes mesmo de ter uma visão ampla da Serra da Farinha Seca, a cadeia de montanhas mais próxima, uma nuvem nos alcançou e repousou de jeito no morro. O vento parou e passou a ser impossível de ver muito além de 20 metros de distância. Como ainda era bem cedo e tínhamos o dia todo livre, resolvemos parar e esperar no máximo até o meio dia para a coisa melhorar, sendo que era aproximadamente 9 horas da manhã.
Foi uma longa e monótona espera, mas minha última empreitada com o Jean, onde fomos até o Morro do Tronco da Serra do Palermo, nos fez temer partir e ver da base o morro sendo libertado das nuvens tal como foi naquele dia. Era 11:30 quando tornou-se visível as encostas do Morro Mãe Catira, onde chamava a atenção uma grande cachoeira que desce de um afluente do Rio Taquaral. Resolvi erguer o drone para aproveitar oque fosse possível naquela circunstância, e foi dele que vi a nuvem partir e fazer a espera valer a pena. A vista diferenciada de diversos cumes da Serra da Farinha Seca, o destaque do Agudo da Cotia no Ibitiraquire, as "costas" da Baitaca e um pouco da Serra do Marumbi foram os destaques. Partimos de lá contentes e ainda haviam horas do domingo para se curtir, agora em casa.