A intenção era o fazer o Pico Saci, mas faltava no mínimo uma companhia disposta á acompanhar. Havia a opção de fazer o Morro Pirizal sozinho, mas a previsão não mostrava o clima tão limpo no céu de Garuva quanto seria bom. Um convite inesperado e indispensável para o meio da tarde do domingo muda tudo, e oque se tem é um tempo para aproveitar fazer algum roteiro destinado aos sábados. Mas havia outro, recém publicado, que talvez seria longo demais para uma tarde de sábado, e talvez curto demais para um domingo inteiro.
Quando eu estive pela primeira vez no Amaryllis, á quase que exatamente um ano atrás, passou na minha cabeça que eventualmente ocorreria uma subida do Itapiroca por aquele lado, ou que talvez ela já tivesse ocorrido. Antes disso, enquanto eu observava qual seria a melhor rota até o Amaryllis, vi que uma opção, embora a pior, seria alcança-lo por esta crista que se iniciava próximo das fazendas. Eu antes achava que o acesso mais "comum" á ele seria diretamente do cume do Getúlio ou de algum ponto próximo, enquanto ele é melhor feito um pouco mais além, á partir das plaquinhas.
Nos últimos meses, Luciano Filizola, um trilheiro da região, em companhia de mais alguns companheiros, abriu um trajeto que liga o ponto conhecido como Pedra e Pinheiro, que é observado á partir da Pedra do Grito durante a subida do Getúlio, até o Itapiroca por sua face Oeste. Segundo postagens, esse caminho já foi realizada em 1992 até o Amaryllis, mas nunca além dele.
Comecei a trilha 7:40, chegando até a Pedra do Grito em cerca de 10 minutos. Após uma breve observação do caminho á seguir, retornei alguns metros até a perceptível entrada da trilha á direita. A descida até o rio Ribeirão Grande, pouco acima da sua cachoeira principal (A que se acessa pela Fazenda PP) é curta e rápida. Logo se observa a continuação em sua outra margem, onde a trilha acompanha a lateral do rio por cerca de 350 metros, onde a trilha passa a acompanhar uma mangueira. Há trechos que merecem cuidado pelo solo estar se cedendo. Deixa-se o rio para um trecho mais íngreme, de pouco mais de 400 metros até o Pedra e Pinheiro, com trechos em que contornam-se grandes rochas e um ponto com auxílio de corda. O Pedra e Pinheiro tem esse nome provavelmente devido ao pinheiro que se encontra bem próximo deste mirante. É um trecho íngreme, e mesmo em bom ritmo, levei uma hora para alcança-lo, igual ou até mais do que eu levaria para chegar ao cume do Getúlio na mesma pressão, isso mesmo ele sendo bem mais distante. Há um pouco mais de subida após ele, quando a trilha passa pelos primeiros bambuzais, tudo bem aberto e quase exageradamente fitado. Ao chegar nas primeiras partes com solo rochoso exposto a trilha passa á ser mais vezes descoberta e plana, onde pude melhorar o ritmo, pois não pretendia levar mais outra hora para chegar ao cume do Amaryllis, pois com o compromisso á tarde, se eu demorasse mais que 2:30h para chegar ao Amaryllis, consideraria retornar.
Entre pequenas descidas e trechos de contínua subida leve, raro era a necessidade de parar. O caminho era claro e logo podia observar oque eu sabia ser o último morrinho antes do cume verdadeiro. Dele á seguir eu sabia que haveria uma descida ligeiramente maior, onde já no seu início encontrei uma descida de um paredão de cerca de 2 metros, completamente vertical e sem apoio. A vegetação que vinha de baixo servia de algo mínimo para que eu caísse de pé, e funcionou, embora felizmente eu usava óculos de EPI que não apenas esta hora devem ter evitado de eu enfiar algum galho nos olhos. Eu não hesitei em descer pois o reforço de fitas de marcação ali não deixavam dúvidas, embora mais tarde conversando com o Filizolla ele disse que apesar das fitas existe um desvio próximo para evitar o salto, e que é melhor fechar esta queda para evitar riscos. A descida foi breve e logo eu subia o trecho final até o cume, mais íngreme, onde logo apareciam cada vez mais os caraguatás que o cercam. O cume do Amaryllis possui uma vegetação um pouco alta para se observar ao redor, mas lembro que próximo dele, em direção ao Itapiroca, haviam algumas pedras boas para uma pausa, mas este trajeto acabou desviando da saída dele. Corrigir isso teria evitado um pequeno desvio que é feito mais por baixo, e proporcionado a vista deste mirante.
Pouco além do cume a vegetação torna-se mais baixa, permitindo uma melhor visualização do Caratuva, Itapiroca, Cerro Verde, Tucum e Camapuã. A profundidade do vale entre o Amaryllis e o Itapiroca é mera impressão, e chega-se sem dificuldades, embora este seja o trecho mais fechado da trilha até então, mas ainda de rápida progressão. Logo eu já me encontrava subindo o Itapiroca, abusando do movimento quadrupedal para poupar um pouco as pernas, chegando logo também nas caratuvas, trecho que apesar de ser o mais íngreme, subia rapidamente e sem muito esforço devido ao apoio que as mesmas caratuvas davam como de costume. A inclinação diminuía gradualmente á partir de um ponto e de uma rocha eu já via a área de camping do Itapiroca abaixo de mim, dando por concluída a subida. Foram 1 hora até o Pedra e Pinheiro, mais 1:20 até o Amaryllis e cerca de 50~60 minutos até o Itapiroca. Acredito que em condições semelhantes, a trilha tradicional ainda fosse mais rápida, por ser mais reta e com ganho de altitude mais distribuído, além de contar com a bica de água. Mas foi interessantíssimo fazer por esta rota, além de que certamente era um trajeto fadado á existir.
Desci o Itapiroca em ritmo mais forte, chegando na fazenda em uma hora.
Mas certamente o melhor do domingo foi acabar fazendo algo que exigiu menos do que a média esse ano. Nos últimos meses a maioria do que eu tenho feito envolve começar antes de amanhecer e terminar de noite, geralmente terminando após horas de estar beirando a exaustão, ou com circunstâncias mais tensas e de maior risco. Nesse caso, terminando antes do almoço, pude deslumbrar oque pretendo fazer após o concluir os principais objetivos desta temporada.
















