
A paixão pelas "aventuras no quintal de casa" ocasiona no hábito de olhar mais atentamente ao horizonte - ou bem antes dele - em busca um novo motivo para ansiar a chegada do próximo dia "realmente útil". Minhas primeiras idas para as serras do Ibitiraquire ou a do Capivari limitavam o alcance da visão pela densa neblina, mas na minha primeira ida ao Capivari Grande, me chamou a atenção a silhueta "alta demais para ser pouca coisa", consideravelmente distante, no meio de toda aquela planície na direção sudoeste. Na época, Google Maps era tudo oque vinha á minha mente, e minha limitada imaginação não me fez supor que houvessem outros sites que poderiam me dar essa resposta (e mesmo assim, a maioria dos que mostram pontos culminantes não me dariam qualquer nome), e nem fazia ideia de que o Google Earth mostrava o relevo com considerável precisão, oque ao menos me daria uma noção de como é tudo aquilo. Como muitas outras coisas, foi ao conhecer e explorar o grande acervo que o montanhista Jean Di Santi havia registrado e disponibilizado, para a serra ter enfim um nome, a Serra do...
Digamos que há uma serra em que para "não haver divulgação do local e preserva-la ao máximo", decidiu-se dar um nome mais comercial e chamativo. Os morros também receberam novos nomes, para também não serem associados seus nomes reais com o nome da serra, afinal ela o entregaria. O acesso á ela se tornou único de alguns indivíduos e de seus clientes. Dentre todas tantas serras, montanhas e morros do sudeste paranaense, mesmo ela sendo tão isolada e fora do radar do farofeiro médio que certamente olharia á 100 outros lugares antes de se enfiar em um local isolado dessa forma, não parece haver interesse em tornar mesmo as partes mais periféricas, em pontos para o montanhista exercer sua vocação.
Deixo que tracklogs e imagens de satélites digam mais sobre o percurso do que eu, para evitar dar instruções sobre passagem em eventuais áreas particulares. Sinto uma pena pois senti uma ligação muito forte com esta serra, dedicando-a um dia nublado e solitário, só eu e ela. Não me fiz por derrotado quando os planos tiveram que mudar bruscamente e cumpri a missão de conhece-la como ela merece, com seus principais cumes (1, 2 e 3) e também um morro vizinho, ao sudoeste. Sei muito bem que atrás daquelas nuvens estavam uma das vistas mais bonitas que o montanhismo paranaense pode oferecer, e por isso espero muito um dia poder revisita-la, em mais plena liberdade.




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| Morro "4", único em que as nuvens não cobriram durante todo o dia, mas que não fazia parte do trajeto, e com certeza é um dos mais negligenciados desta serra |









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| Alguns trechos bem fechados na trilha até o "1", mas a trilha no geral é bem evidente |

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| Antenas no cume do "1" |
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| "4" visto da subida do "1" |

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| Caminho para o morro sudoeste da serra |

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| Cume do morro sudoeste |
