A ideia para o final de semana era fazer o Pico X, mas com a desistência de dois colegas que me acompanhariam, achei um tanto perigoso ir lá sozinho. Os perdidos e o encontro com caçadores na minha ida ao Pilão de Pedra me pesavam a consciência ao pensar em ir lá desacompanhado. O clima em Morretes prometia sol com nuvens, assim como em Campina Grande do Sul, onde havia a opção de retornar ao Pico Paraná de ataque, dessa vez incluindo os cumes restantes do conjunto Ibiteruçu. Mas este é um que eu fazia mais questão de fazer acompanhado, para ter a experiência de um ataque ao PP acompanhado. No grupo do Whatsapp do Montanhismo PR-AM, tentei buscar alguma companhia que já estivesse indo para o Pico X no dia seguinte, sem sucesso. O lendário Marumbi era enfim o escolhido.
Eu já havia ido ao Marumbi, na verdade foi uma das minhas montanhas na Serra do Mar Paranaense. Porém, na ocasião um colega acabou lesionando o joelho durante a subida da rota vermelha, lesão que acabou se agravando, e com o calor do dia, a inexperiência e as péssimas roupas e mochilas, ficamos muito exaustos, tendo nesse dia subido apenas o Abrolhos e a Ponta do Tigre. Aí, a conta ficou em aberto até este mês de Julho de 2022.
O Marumbi abre possibilidades de apimentar sua experiência, acrescentando cumes ao roteiro ou retornando por outra rota. Infelizmente, a trilha original que levava ao cume - a chamada rota amarela ou do Facãozinho, estava interditada, segundo a administração, para tentar conter o impacto ambiental de toda a frequentação que teve no passado. O Facãozinho, também conhecido como Taquaral, é uma espécie de extensão inferior, uma crista que desce do Morro Boa Vista e contorna-se para a direção Nordeste. Vendo por fotos, aparentemente seu cume é coberto, permitindo algumas janelas para o restante do Marumbi em alguns pontos. Mais abaixo dele, está o Morro Rochedinho, o de mais fácil acesso do local, á cerca de 10 minutos de uma caminhada leve da Estação Marumbi. A trilha frontal, também chamada de trilha Branca, inicia-se no começo do caminho para o Rochedinho, onde toma-se uma bifurcação marcada á esquerda e leva em cerca de 3 á 4 horas diretamente até o final da rota vermelha, logo ao lado do cume do ponto culminante da montanha, o Pico Olimpo, também conhecido como Pico do Marumbi, embora não seja o maior desta Serra, que recebe o mesmo nome da montanha. A trilha vermelha inicia-se ao lado do início da trilha branca, indo imediatamente no sentido da montanha, mas subindo a montanha mais á esquerda da direção do Pico Olimpo. Apesar o nome da trilha frontal (branca) dar a impressão de que ela seria a mais íngreme e pesada por ser mais direta, a trilha vermelha acaba sendo mais íngreme, demorada, e com muitos mais lances mais verticais de escaladas por cordas, correntes e vias-ferratas. Esta rota possui uma bifurcação demarcada que separa a trilha para o cume do Abrolhos (1.200mt) do restante da trilha até a Ponta do Tigre/Gigante/Olimpo, com as características "setinhas", com as iniciais dos cumes. Seguindo a trilha vermelha adiante, contorna-se o Esfinge (1.378mt), onde sua trilha de acesso não faz parte do roteiro consolidado do Parque, e que acaba sendo mais frequentado por escaladores devido aos seus tentadores paredões. Adiante, chega-se á Ponta do Tigre (1.400mt) e depois ao Gigante (1.487mt), sendo que entre eles existe uma entrada que leva até o Torre dos Sinos (1.280mt), que é um cume vizinho ao Abrolhos, e acessado pela sua direção oposta. E por último, chega-se á bifurcação com a trilha branca e ao cume do Olimpo. Adiante deste, também existe a Pedra da Lagartixa e o Morro da Boa Vista, que já está inserido na área considerada "intangível" do Parque Estadual, e que acabam sendo mais frequentados durante a execução da travessia Alpha-Ômega.
Minha escolha foi subir pela trilha Branca e descer pela vermelha, incluindo ali o Torre dos Sinos e o Abrolhos. Cogitei incluir o Esfinge, mas já tendo pouca informação sobre o Torre dos Sinos e a possibilidade de faltar tempo diurno, e ainda não encontrando nenhum tracklog preciso sobre o acesso do mesmo, decidi deixar o Esfinge para uma outra oportunidade. Na falta de vaga na rua antes do IAT do Itupava, acabei deixando o veículo no estacionamento do Macuco, poucos metros antes, ao custo de R$ 20. Iniciei (7:55h) ali aquela longa e clássica caminhada de aquecimento e aproximação ao Marumbi, passando pela entrada para Usina Hidrelétrica do Marumbi, pela escadaria do final do Itupava, pela Estação Engenheiro Lange, e enfim pelos trilhos de trem que antecedem a chegada á base, após uma hora de caminhada (8:55h). No final do trajeto encontrei o Alex Pavanelo, conhecido corredor de montanha da região, e que nesse dia também iria para o Olimpo pela trilha Branca, acompanhado por duas extrovertidas colegas.


Após uma longa pausa e lanche no Olimpo, retornei e tomei o caminho para a trilha vermelha. Auxiliado pela descida, chega-se rapidamente ao Gigante (13:20h), onde a trilha não passa diretamente pelo cume, mas á poucos metros dele, contornando-o por melhores pontos de visão. Dali é possível ver uma fração do cume da Torre dos Sinos, o próximo objetivo.
Segui imediatamente adiante, prestando atenção no GPS para tentar identificar facilmente a entrada para a Torre, já que havia lido que sua entrada não era tão evidente. Ao menos nessa ocasião, a entrada estava bem aberta, tanto que por estar localizada em um pequeno vale com uma leve curva, é perigoso até que outros visitantes acabem errando esta entrada e seguindo esta trilha ao invés de seguir rumo ao Gigante. Da entrada adiante, a trilha é uma descida razoável, com vegetação um pouco fechada em alguns pontos na altura do pescoço, mas bem simples e evidente, embora não fitada. Logo chega-se á uma bifurcação, em que tomando á direita chega-se á parte final de descida que antecede a Torre, de onde é possível vê-lo logo á sua frente. A ligação neste vale mostra que não existe erro para a chegada á ele: Ou se acessa por ali, ou por escalada. A subida é curta e rápida (13:45h), e logo após o cume, chega-se á algumas rochas que fornecem o verdadeiro visual, onde sob uma delas estão armações de ferro onde estava ou inicialmente estaria a caixa de cume. Ali, o principal destaque é a vista para o Abrolhos, geralmente bastante frequentado, e também para o Esfinge e a Ponta do Tigre mais á direita.







Retomei a descida e logo á um memorável ponto onde as pedras formam um grande abrigo, e mais adiante chega-se ao Vale das Lágrimas, marcado por uma maior umidade que desce das pedras, e onde li que também se iniciaria a subida até o Esfinge. Nesses pontos estão longos trechos contínuos de vias ferratas e correntes, que cobram alto na sua subida. O Abrolhos torna-se visível e vai-se em direção á ele, onde mais adiante a trilha passa á contorna-lo, até chegar na bifurcação que dá acesso á ele, novamente marcado com uma seta com sua inicial. A subida do Abrolhos (16:10h) é uma das mais íngremes do trajeto, mas como ainda é um dos cumes mais próximos da base, é bastante frequentada. Deve-se tomar cuidado no cume para evitar chegar nas rochas mais nas suas várias extremidades, sob o lógico risco de despencar para a morte. Retomei a descida agora com destino á base, chegando pouco antes de começar á escurecer (17:30h), e chegando enfim ao estacionamento ás 18:30h. Foram 16km em 10:40h, com 4 cumes, boas pausas, e mais de 1600 metros de ganho/perda de altitude.































































































