Domingo, 19 de Setembro de 2021, e o clima do Ibitiraquire não parece favorável para um Guaricana, nem de Joinville para um Jurapê, nem de Paranaguá para uma Torre Prata. Se havia um cume restante em que céu aberto era dispensável, esse poderia ser facilmente o tal Chapéu de Sol. Esse pequeno cume visto geralmente de quem desce a estrada da Graciosa, logo após o Recanto Lacerda, em direção á serra do Ibitiraquire, chama a atenção pela sua forma, da qual provavelmente recebe o nome, e convidou alguns exploradores no passado á entrar pela trilha do Marco 22 logo abaixo e alcançar o cume.
Estaciono o carro no Recanto Lacerda e desço cerca de 700 metros até o Marco. Identifico a trilha no canto e logo que começo, a primeira dúvida. Há um caminho á esquerda e outro mais reto. O mais reto parece ser principal, então vou por ele até o gps determinar melhor minha localização. Desço um pouco mais e vejo que me distancio da trilha do gps, mas ali mais a frente parecia haver outra bifurcação. Como eu ainda não frequentei essa região que usarei na chegada de diversos morros no quadrante mais ao sul do Ibitiraquire, eu tinha essas dúvidas. Mas antes de chegar á uma conclusão, a surpresa... As desgraçadas das perneiras tinham ficado no porta-malas do carro. Eu querendo aproveitar no máximo o dia e ainda tenho que voltar ao recanto pegar e começar denovo. Lá vou eu e volto. Já de cara pego o caminho á esquerda, que entre ainda outras trilhas secundárias, logo percebo se tratar do caminho correto. Taco-lhe pau.
A vegetação invadia a trilha em diversos pontos e eram muitas as teias de aranhas, mas por estarem úmidas, estavam facilmente visíveis. A trilha era nesse ponto bem visível apesar da vegetação e não havia erro. Algumas fitas laranjas, deixadas bem recentemente por um rapaz que fez a trilha com um grupo recentemente e deixou o registro no Wikiloc, no começo eram poucas mas depois se tornaram um tanto mais frequentes e bem necessárias. Atravessa-se algumas vezes por rios pequenos e outros um pouco maiores, e em alguns casos é preciso seguir o caminho deles por alguns metros. Chega-se também á um atoleiro sem nenhuma opção e que enterrar os pés para passar é a única opção. Dali em diante ficava cada vez mais claro que se eu não tivesse pegado a perneira antes, eu teria que ser mais infeliz ainda e voltar de um ponto mais distante ainda. Chega-se também á um acampamento improvisado de algum caçador ou palmiteiro que passou algum tempo em condições precárias no local.
A trilha segue alternando-se em áreas fechadas e outras um pouco mais aberto de vegetação baixa, coberto por árvores altas mais distantes. A variação de altitude existe mas é sempre um tanto discreta, deixando para você prestar mais atenção em seguir o trajeto correto e tomar cuidados com teias ou outros animais. Em diversos pontos chega-se á uma fita laranja onde você precisa forçar os olhos afim de encontrar a próxima, que pode estar reto ou já em outra direção. O local terá que receber mais fitas se a intenção for segurança, mas caso o interesse seja deixar a trilha no maior anonimato possível, o mínimo que deve ser orientado é o seguinte: Faça essa trilha de preferência acompanhado, com experiência de navegação, o mínimo de equipamento adequado, perneiras, mínimo conhecimento geográfico do local, e com um celular reserva que registre e armazene o seu caminho. Definitivamente não é uma boa ideia ficar perdido em um local pouquíssimo frequentado, cujo único ponto mais elevado é o próprio morro Chapéu de Sol e que localiza-lo seria praticamente impossível, sua significância para determinar uma rota é pequena, e ainda que o tipo da vegetação do local, bem pouco densa em diversos trechos, é um convite para você se perder. Curiosamente, mesmo prestando uma atenção absurda no gps, na trilha e nas marcações, tanto na ida quanto na volta aconteceu algo que jamais aconteceu em qualquer outra trilha: Eu a seguia normalmente, e quando me dei conta, eu estava saindo da rota indicada pelo gps. Ao retornar um pouco, eu não identificava o trajeto correto de forma alguma, então na dúvida resolvi voltar por onde eu vim. E assim que eu "retornava" eu percebi que aquele era o caminho correto. Mas que diabos????????????????????? E como já disse, isso aconteceu tanto na ida, quanto na volta, em locais diferentes.
Feito o Chapéu, decido descer em direção á Antonina para ver se o clima parece favorável para a execução da tal da Terceira Antena do Ciririca, em direção á localidade de Cachoeira de Cima. Logo fica visível a condição ruim do clima lá, claramente uma chuva viria e eu faria muita questão de estar na antena com tempo aberto para umas imagens com o drone. Mas já que eu estava quase em Antonina, pensei em fazer uma corridinha final em um tal Mirante da Pedra, local que assim como o Chapéu de Sol tinha ganho de elevação muito baixo, cerca de 130 metros, mas que nesse caso em um trajeto bem pequeno e rápido. Chegando ao local, cuja trilha começa ao lado esquerdo da sede local da Copel, percebo que houve a intenção no passado de haver uma calçada para pedestres até o mirante do local. A mesma rachou em diversos pontos e se tornou muito, mas muito lisa, chegando á escorregar mesmo na subida. Segui rápido e ao chegar, percebo um casal namorando no chão, e deixei de filmar a chegada ao local, para não constrange-los. Acontece que ao chegar do lado deles, percebo que estavam em algo ainda muito mais caliente do que amassos no chão, ele, com sua bunda em direção ao mar, sabugava a sua amada ou amante sem dó. Como deve imaginar, eu que já sou muito branco, desenvolvi uma nova cor de pele ainda mais clara e nunca vista, e estando ao lado deles sem que eles percebessem devido á sua empolgação, me afasto e volto para o caminho de onde vim. Acabou o passeio para mim, enquanto eles aproveitavam para valer o lugar. Ao ver que o indivíduo notou minha presença com o celular na mão tratei de me mandar do local mais rápido que na descida, optando por descer na lateral da trilha que oferecia mais aderência, antes que o sujeito se demonstra-se nada amigável. Bom, depois de tanta trilha e montanha seria estranho se eu não tivesse presenciado esse aspecto da natureza em alguma delas. Partiu casa.