Com o tempo se tornou hábito sempre olhar um pouco ao redor enquanto se viajava até uma montanha procurar outros potenciais destinos á seguir. Foi dessa forma com o Morro da Tromba enquanto eu ia para o Castelo dos Bugres, o Três irmãos enquanto eu fazia o Cal, a Serra da Bocaína ao subir o Capivari Grande, ou o IV e o Médio no topo do mirim. Com o Cantagalo não foi diferente, e quando surgiu uma oportunidade escaneei a tal Serra do Saí em busca de algo com o Wikiloc, e no sul dela surge algumas poucas marcações se referindo ao Cantagalo. Na época eram bem poucas mesmo, e tratavam a trilha como bem fechada e um tanto difícil por conta disso. Nos períodos de fechamento de alguns parques estaduais em 2020 o Cantagalo acabou recebendo mais notoriedade, assim como ocorreu forte com o Capivari Mirim ou um tanto com o Pilão de Pedra por exemplo, assim como vários outros que passaram á entrar nos planos de Montanhistas que mesmo após reaberturas de diversas áreas comerciais, até mesmo shopping-centers, mas cujas montanhas ainda não permitiam acesso em muitos casos.
Altitude: 535 metros
Altitude da base: Aproximadamente 30 metros
Distância da trilha: 6.4km ida e volta
Duração (variável): Levei cerca de 1:30 em ritmo tranquilo para subir
Pontos de água: Há uma bifurcação próxima aos 2.2km de trilha que leva á uma pequena cachoeira
Localidade: São Francisco do Sul, Serra do Saí
Dificuldades: Fácil/Médio, a trilha tem um ganho de altitude mais forte após a cota 240mt. Trilha bem demarcada, mas que possui risco considerável de cobras, e a vegetação invade um pouco a trilha em alguns pontos. Não há exposição á quedas. Risco de assaltos não é muito grande, não conheço casos, e é um local um pouco afastado, mas merece atenção.
No final de maio de 2020 surge uma oportunidade e vou com um colega para o tal Cantagalo. Aqui já vale falar uma coisa: O morro com face rochosa muitas vezes referido como Cantagalo, aparentemente não é o correto, mas acabou pegando. Aparentemente o correto seria algum dos morros mais ao leste dele, e ele no entanto seria originalmente conhecido como Morro da Pedra ou Pedra do Gibraltar. Seguimos pela estrada de chão, com longos 20 km de extensão, acessado pelo contorno sul pertencente ao município de Garuva. A estrada estava em condições razoáveis, hora com bastante buracos, e algumas elevações com abruptos desníveis negativos que geravam pontos cegos que merecem atenção. Algumas pessoas optam por parar os veículos na rua, como foi o meu caso, mas algumas casas ali podem guardar o seu carro por algum custo. Há também uma travessia de balsa bem próxima que liga á cidade de Joinville (valor para carro: R$ 18,90), para aqueles que optarem vir quase que inteiramente por estradas asfaltadas, oque pode ser uma melhor opção para interessados que venham de outros lugares de Santa Catarina, enquanto quem vem do Paraná pode escolher pela comodidade da balsa embora a distância percorrida até o seu acesso em Joinville também seja grande, ou pela estrada de chão e sua extensão.
A trilha começa no canto da estrada em direção ao morro (nordeste), cerca de 50 metros após uma ponte (para quem vem da balsa). A vegetação pode invadir bastante a trilha, sobretudo nas épocas mais quentes do ano, e pelo risco de cobras é sempre recomendado uma perneira adequada por precaução. A trilha segue por 600 metros até que há uma clareira onde deve ser tomado á direita. Algo que chama a atenção é que parte da trilha se percorre em uma área bem elevada em relação ás laterais dela, formando calhas, porém, o tipo de solo que é percorrido costuma ficar muito escorregadio após uma chuva. A trilha tem dificuldade razoavelmente fácil, apesar de algumas árvores caídas, até o ponto da famosa figueira, uma árvore simplesmente gigantesca que rouba a cena e quase consegue ser mais fascinante que o próprio cume do Cantagalo.
Após a figueira, a trilha torna-se mais exigente, com um ganho de elevação mais rápido e que exige pausas mais constantes para retomar o fôlego. Também existe uma bifurcação em que á direita á poucos metros chega á uma pequena cachoeira. Ao chegar no mirante, que está antes do cume que também pode ser acessado embora seja pouco frequentado, observa-se Joinville e todas as extensas serras que beiram a rodovia BR-101. Ali, algumas pedras podem servir de descanso, e há uma razoável área de camping com espaço para algumas barracas.
Oque ajuda a tornar o Cantagalo, ou o "Morro da Pedra" popular são suas lendas. Além de histórias sobre luzes e seres estranhos, sons de explosões e outros fenômenos sobrenaturais, o livro "A Terra Oca" do norte-americano Raymond Bernard associa o local é uma das entradas para um misterioso interior da Terra, além de que o Castelo dos Bugres e o Monte Crista também possuiriam tais portais. Alguma outra parte da lenda (se não a mesma relatada no livro, não cheguei a ler) cita que o nome do morro seria uma alusão a ocorrência ocasional de um ruído vindo da direção do morro, que lembraria o canto de um galo. Indo ainda mais além, esse galo seria de ouro e guardaria a entrada para a Terra Oca. Resumindo, o uso de entorpecentes não é recomendado pelos órgãos de saúde no mundo inteiro.