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Capivari Mirim, IV, V e Pedra Branca do Ibitiraquire



 O dia era 12 de Setembro de 2021 e a temporada de montanha começa á se despedir. Embora nem pareça que sequer era uma, dadas as temperaturas insanas que houveram em todos os meses anteriores na região. Mas era um dia de tirar dois nomes da lista: Capivari IV e Pedra Branca do Ibitiraquire. Porém como eu faria a chega ao IV via Capivari Mirim e o tal do cume adjacente do IV conhecido já como V era próximo, também estariam na conta, além das cachoeiras próximas ao começo da trilha do mirim e ainda se possível uma ida ao Morro Jaguatirica, na comunidade de mesmo nome em Campina Grande do Sul, aos pés do Capivari Grande. Resumindo, eu queria aproveitar bem o dia. 7 horas e já inicio a trilha do Capivari em grande neblina, encontrando alguns trilheiros já no começo da trilha, e logo aquela neblina vira um mar de nuvens. Já saco o drone para fazer uma imagens e toco pra cima. 8:20 chego ao cume e encontro mais alguns grupos, faço uma parada breve já registrando os objetivos do dia, os dois capivaris á frente e a Serra do Ibitiraquire ao fundo. 

Altitude: Capivari Mirim 1.559 metros, Capivari IV 1.466 metros, Capivari V 1.460 metros, Pedra Branca do Ibitiraquire 1.393 metros
Altitude da base: Aproximadamente 920 metros (Capivari) e aproximadamente 930 metros (Bolinha)
Distância da trilha: 4.8km até o Capivari V, e 3.3km do Bolinha até o Pedra Branca
Duração (variável): Levei 3 horas e 20 minutos até o Capivari V, e 1:30 do Bolinha até a Pedra Branca, ambas em ritmo um pouco mais intenso
Pontos de água: Nenhum nos Capivaris, e no Pedra Branca pontos de água apenas até antes da trifurcação (plaquinhas)
Localidade: Campina Grande do Sul, Serra do Capivari
Dificuldades: Capivaris: Médio/Difícil, bom ganho de altimetria, subida ao capivari mirim exposta ao sol e com bastante erosão e pontos escorregadios esteja o solo úmido ou seco, trilha com alguns obstáculos para o IV, mato alto e algumas trilhas secundárias para subir o IV, exposição á quedas em direção ao V, trilha pouco frequentada e recomenda-se perneira anti-cobras. Risco de assaltos baixo.

distância percorrida e ganho de altimetria consideráveis. Trilha bem demarcada, mas que possui risco considerável de cobras, especialmente em épocas mais quentes.  Risco de assaltos baixa. Cães soltos no começo da trilha. Não há exposição á quedas.


















 Recuo um pouco para a trilha que desce o Mirim até o vale entre ele e o Médio, pego á direita em direção do que pelo menos antes era o caminho para o Médio. Dali em diante me surpreendo, já que esperava uma trilha fechada o tempo inteiro: Ela está bem transitável e marcada. Com perneira anti-cobra no seu lugar sigo o caminho que por um bom tempo envolve uma descida bem gradual. A trilha possuía fitas com uma razoável distância entre elas e em alguns pontos era preciso contornar algumas pedras ou passar por baixo de árvores caídas. Chega-se á um ponto onde algumas árvores tombaram e seus galhos cobriram completamente a passagem, á não ser que eu tirasse a mochila, e segura-se algumas que acabassem abrindo uma estreita passagem. Ali o caminho continua logo á esquerda e algumas fitas fazem questões que desavisados não errem o caminho na volta. De fato, a trilha até esse ponto estava em boas condições. É preciso talvez algum indicativo para que trilheiros desavisados interessados em uma ida ao médio não sigam por esse caminho que realmente induz ao erro um pouco.













Ás 9:55, chego a uma pequena área aberta com visão do Capivari Mirim e do IV/V simultaneamente. A descida continua e logo se chega á um ponto onde o IV é visto de forma bem frontal no topo das árvores á frente. Pouco depois a subida do IV toma forma e oque de longe parecia ser uma vegetação baixa se mostra uma vegetação bem alta e que dificulta observar á trilha mais a frente, e onde algumas bifurcações "para trás" abrem um sério risco de perdidos durante a volta, tornando ainda mais indispensável o acompanhamento constante do caminho com um tracklog. A subida, ainda mais exposta ao sol, torna-se um pouco cansativa já que em alguns momentos um ou outro falso-cume é alcançado. Mas logo se chega á uma parte mais alta onde á esquerda se observa uma pequena área onde uma ou duas barracas podem caber e á direta um rocha de onde se pode ter a melhor visão do cume. Mas ao contrário da aparência distante de um cume grande e descampado, não é bem assim.

























Observo ao sudoeste o Capivari V que realmente não parecia ser trajeto para mais de meia hora em um bom ritmo, e após recuar poucos metros e ir em direção á vegetação maior no cume do morro já identifico o caminho da qual o IV se acessa através da BR. Ali, se desce por um breve período dentro de uma área fechada e até que o terreno começa á ficar menos inclinado, e se alterna entre rochas e vegetação alta em direção ao V. Mais alguns trechos de sobe e desce dentro de áreas fechadas, e saio no ponto mais alto do morro adjacente, que na minha opinião possui até um melhor visual em comparação com o IV. Chego nele ás 10:20.





Ali, um inconveniente: O celular resolve parar de funcionar como se a bateria estivesse acabado, embora ainda houvesse suficiente para a volta. Fico um tanto preocupado com a volta, que embora o aspecto mais complicado seja não errar o caminho no mato alto da descida do IV, mas me obriga á ter muita atenção pois em algum caso de acidente ou emergência eu não teria como chamar ajuda, e nada garante que outras pessoas aparecessem naqueles morros naquele dia. Eu já sabia da séria necessidade de comprar outro celular reserva para essas situações (além do óbvio de evitar de fazer esse tipo de trilha sozinho, coisa que eu evito até um ponto, mas sinceramente...), então desço com atenção ao Capivari IV e ao menor sinal de caminho não usado durante a ida, volto e logo identifico o correto. A trilha dali segue sem nenhum problema. Chego pouco antes das 13h no estacionamento do Mirim e após um tempo consigo ressuscitar o celular e avisar do sucesso dos objetivos até aquele momento. Almoço na lanchonete do estacionamento e vou em seguida para as cachoeiras acessadas a partir dessa propriedade. Cachoeiras realmente muito bonitas e por sorte em algumas ainda não havia muita gente que com certeza chegaria naquela tarde que chegou á 34 graus. 








 Digestão feita, hora de seguir ver se o Jaguatirica era viável. É um morro de baixa altitude mas aparentemente com um visual interessante pelas poucas imagens disponíveis na rede, todas com autoria de Jean di Santi. Não queria incomoda-lo, mas a única tracklog que achei do local não dava muitas informações, e seguia o morro acima através da estrada que chega á trilha do Capivari grande, embora por satélite parece que já existiu uma trilha pela comunidade de Jaguatirica, pelo menos no passado. Acabo confiando um pouco mais no tracklog. Chegando lá, não encontro o caminho seguido por ele, e arrisco por entrar em uma área um pouco mais á frente onde apesar do mato alto havia alguns caminhos que levavam para cima, mas que logo chegavam em locais onde era eu era incapaz de passar. Com o tempo passando e nenhuma rota alternativa naquele ponto, decido que entre ele e o Pedra Branca, eu iria para o Ibitiraquire. Desço e logo vou para a chácara da Bolinha onde inicio a trilha 16:30 enquanto passo por diversos grupos que desciam os picos populares acessados dali e em uma hora chego ás plaquinhas e pego á direita seguido Pedra Branca. A trilha acabou sendo mais longa do que esperava, pois sempre ao ver o morro onde o mirante se localiza, especialmente quando observado durante a subida do Camapuã, ele parece tão pequeno, mas na realidade embora eu acelerava o passo e o céu começava á escurecer, mais ele parecia estar longe no mapa.





                 



                

                

A trilha é bem visível embora um tanto apertada em alguns pontos, sem grande ganho de elevação e em 40 minutos chego ao cume do Pedra Branca, e prestigio mais um belíssimo mar de nuvens, e uma vista pouco frequentada da serra e dos seus cumes, especialmente do Camapuã, Tucum, Ciririca e Agudos, assim como os morros situados no quadrante sul da serra. O mirante possui uma caixa de cume e é bem pequeno, sem possibilidade de acampamento. Neste cume, na verdade durante toda a trilha, havia movimentação de alguns helicópteros em toda a serra, com certeza relacionados á procura e ao resgate de Maicon Willian Batista, de 27 anos, que passou a semana perdido na serra após ir para o Pico Paraná e que felizmente foi encontrado com vida. Após 5 minutos (cheguei 18:00) pego o caminho de volta com a lanterna na cabeça e chego ás placas 18:40, e no Bolinha ás 19:30. Dia encerrado.